1920

Localizado na Rua Javari, nº 403, esquina com a Avenida Paes de Barros, no bairro da Mooca, o Cotonifício Rodolfo Crespi foi projetado por Giovanni Bianchi e construído para o empresário Rodolfo Crespi. Implantado em uma área de aproximadamente 5.000 m², o edifício possuía cinco pavimentos e tornou-se uma das mais importantes indústrias têxteis da cidade de São Paulo.
A fábrica foi fundada em 1897 pelos empresários Rodolfo Crespi e Pietro Regoli, inicialmente sob a razão social Regoli, Crespi & Cia. Em 1904, com a saída de Regoli da sociedade, a empresa passou a se chamar Cotonifício Rodolfo Crespi, denominação que manteve até o encerramento de suas atividades, em 1963.
Ao longo de sua trajetória, a fábrica esteve diretamente ligada a acontecimentos marcantes da história brasileira. Em 1917, a paralisação de seus operários desencadeou a Greve Geral de 1917, considerada um dos principais movimentos operários do país.
Durante a Revolta Paulista de 1924, o complexo industrial foi atingido por bombardeios, o que interrompeu temporariamente sua produção, período desta fotografia. Anos mais tarde, a fábrica também confeccionou uniformes para as tropas paulistas durante a Revolução Constitucionalista de 1932 e para soldados italianos na Segunda Guerra Mundial.
Após o encerramento das atividades industriais, o antigo complexo passou a abrigar pequenas oficinas e um estacionamento. No fim da década de 1990, Fernando Crespi, herdeiro do imóvel, desocupou o edifício com o objetivo de implantar um shopping center. O projeto, porém, não foi adiante por não atender às exigências da legislação de zoneamento da cidade de São Paulo.
Em 2003, o Grupo Pão de Açúcar alugou o imóvel para instalar uma unidade da rede Extra. O projeto original previa a demolição de grande parte do conjunto arquitetônico, mas a iniciativa encontrou resistência de moradores e defensores do patrimônio histórico da Mooca. A mobilização resultou na intervenção do Ministério Público, a pedido do Departamento do Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo, suspendendo a demolição.
O projeto foi então reformulado para preservar a fachada histórica do edifício, embora parte das estruturas internas tenha sido demolida sob a justificativa de comprometimento estrutural. O hipermercado foi inaugurado em 2005 e permaneceu em funcionamento até 2021, quando o imóvel passou a ser ocupado pelo Assaí Atacadista, que inaugurou sua unidade no local em 2023.
Fontes: Acervo São Paulo Histórica / Stavale / Arquivo. Arq
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