Bonde 29 - Linha Pinheiros - Década de 1950

1950


Na década de 1950, um bonde da linha 29, com destino a Pinheiros, seguia pela avenida Dr. Arnaldo, passando diante da Faculdade de Medicina. O veículo, identificado pelo número 1209, aparece completamente tomado pelos passageiros, muitos deles viajando nos estribos, enquanto um automóvel acompanha o bonde pela rua. Na lateral, uma propaganda do refrigerante Crush também ajuda a compor a paisagem comercial da época.

A linha 29 fazia a ligação entre a praça Ramos de Azevedo, no centro, e o largo de Pinheiros, atravessando uma das áreas que mais se transformavam na São Paulo daqueles anos. Os bondes elétricos ainda eram fundamentais para os deslocamentos pela cidade, embora já dividissem as ruas com uma quantidade crescente de automóveis e ônibus.

A fotografia também registra um ponto importante da avenida. À direita está o edifício da Faculdade de Medicina, inaugurado em 1931. A instituição havia sido criada em 1912 e funcionava inicialmente em instalações provisórias no centro da cidade. A construção da sede própria começou em 1928, na então avenida Municipal, nas proximidades do Cemitério do Araçá. Com a inauguração do edifício, em 1931, a avenida passou a receber o nome de avenida Dr. Arnaldo, em homenagem ao médico Arnaldo Vieira de Carvalho, um dos principais responsáveis pela consolidação da escola médica paulista.

A região tinha uma história anterior ligada à saúde pública. No fim do século XIX, o antigo Hospital dos Variolosos, posteriormente chamado Hospital de Isolamento e hoje conhecido como Instituto de Infectologia Emílio Ribas, foi instalado na área. Em 1897, também foi inaugurado nas proximidades o Cemitério do Araçá. A presença dessas instituições contribuiu para definir a ocupação daquele trecho da cidade e, décadas depois, a avenida se tornaria um importante eixo de circulação entre o centro e a região de Pinheiros.

No bonde da fotografia, chama atenção ainda a construção do próprio veículo. As rodas possuíam perfil cônico, característica que permitia melhor adaptação ao trilho, favorecendo a estabilidade e a aderência durante o deslocamento. O sistema de frenagem completava o conjunto responsável por controlar o pesado carro elétrico, que circulava sobre trilhos compartilhando o espaço com pedestres, automóveis e outros bondes.

Fontes: Acervo São Paulo Histórica / Página São Paulo Velhos Tempos / Pinterest 

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